O Tribunal De Cristo


Leitura: Mateus capítulo 25

Irmão: Kevin Sweeney - Conventry, East


"Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor."

Mateus 24:42



É o Apóstolo Paulo que diz-nos na sua epístola aos Romanos no capítulo 14 versículo 10 (RA)que "...Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo". Ele diz exactamente o mesmo quando escreveu a sua segunda epístola aos Coríntios, capítulo 5 versículo 10(RA): "Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo."


Não pode haver dúvida então que haverá um julgamento das pessoas presidido pelo Senhor Jesus Cristo. Isto terá lugar na altura da ressurreição dos mortos, pois é o próprio Senhor Jesus que diz-nos isto no evangelho de João; João 5 versículos 24-29(RC): "Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida. Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão. Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo. E deu-lhe o poder de exercer o juízo, porque é o Filho do Homem. Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação."


As palavras do Senhor Jesus são muito instrutivas porque dizem-nos acerca do processo que leva ao tribunal de Cristo e o tipo de pessoas que lá estarão


Aquelas pessoas que ouvem a Palavra de Deus (no nosso dia, lêem na Bíblia), e acreditam na sua mensagem e são baptizados, passam da morte para a vida. Eles então tentam o melhor que podem, em fé, viver uma vida agradável a Deus. Estão agora a caminho da salvação. Eles agora são responsáveis perante Deus, o Senhor Jesus Cristo e o tribunal. Deve ser notado no entanto que, existem aqueles que são aceites por Jesus e aqueles que são rejeitados. Isto é um facto que cada um de nós deve contemplar com sobriedade.


Agora podemos voltar à nossa leitura de Mateus capítulo 25 e podemos apreciar a "imagem" que o Senhor Jesus apresenta-nos dentro do contexto do Julgamento.


A primeira parábola neste capítulo lida com as virgens sábias e néscias. Deve ser entendido que AMBOS grupos de virgens sabiam que o Noivo (Jesus) estava pra chegar. Consequentemente Todas estavam esperando por ele. Todavia, somente metade delas (as sábias) estavam preparadas, preparadas para o seu retorno inesperado. O resultado final foi que as sábias foram recebidas para as bodas. As néscias, que tinham exactamente a mesma oportunidade de prepararem-se para estarem prontas como fizeram as sábias, encontraram-se na rua e não importa o quanto protestaram dizendo, "Senhor, senhor, abre-nos a porta!", o senhor respondeu "Em verdade vos digo que não vos conheço". Elas falharam nos seus dias de provação ao não seguirem o que diz em Filipenses 2, versículo 12: "...desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor."


A partir do versículo 14 até ao 30 temos a parábola dos servos do Senhor a quem é lhe dado os bens do seu Senhor para cuidarem deles e negociarem com eles para ganharem mais para o seu Senhor enquanto ele está ausente num "país distante", ou seja, Jesus ascendeu aos céus e deixou os seus seguidores, tanto sábios como néscios, no obra do seu Senhor e prepararem-se para o seu retorno quando eles próprios devem apresentar-se perante ele e dar contas da sua administração. Os versículos 19 a 23 dizem-nos que, para aqueles que trabalharam na obra do seu Senhor haverá reconhecimento e recompensa de autoridade sobre as nações, mas mais importante ainda, entrar "no gozo do teu senhor."

Em contraste a esta atitude mental vemos nos versículos 24 a 30 o julgamento do Senhor sobre os servos que não mostraram ser fiéis. O seu julgamento, registado no versículo 30, é definitivo.


Esta parábola dos talentos não é sobre quão bem sucedidos somos ou aprecemos ser. É acerca da nossa atitude acerca dos maravilhosos "bens", isto é, a verdade da mensagem do evangelho que recebemos e como nos afecta no dia a dia. Isto, claro, irá variar de discípulo para discípulo dependente nas nossas circunstâncias.


Esta é a essência do que o Apóstolo Paulo diz em 2 de Coríntios 8 versículo 12; "Porque, se há boa vontade, será aceita conforme o que o homem tem e não segundo o que ele não tem." No contexto imediato, Paulo está a falar acerca das dádivas de dinheiro dadas pelos crentes em Corínto para ajudarem o crentes de Jerusalém que estavam a enfrentar sérias dificuldades. Este principio é igualmente tão relevante também, em todos os aspectos das nossas vidas como discípulos. Ele nos chama a cada um de nós ao exercício de auto-julgamento, auto-exame, para ver se nós realmente estamos a tentar ser como o "servo bom e fiel" ou, tristemente, se estamos a nos comportar como o "servo mau e negligente". Porque quando estivermos no tribunal perante o Senhor Jesus Cristo, todas estas coisas, já serão do conhecimento de Jesus. Então será tarde de mais para fazer alguma coisa.


Na secção final do capítulo 25 de Mateus a partir do versículo 31 até ao final somos levados até ao próprio julgamento.


Para começar precisamos de entender que quando é mencionado no versículo 32 que todas as nações serão reunidas perante Jesus,não se refere a nações, como a China, Peru, Portugal ou Bélgica, etc., etc. Não são as nações no seu todo que irão ser julgadas, mas aqueles indivíduos de todas as eras e de todas as nações que são responsáveis perante o tribunal de Jesus. Isto torna-se obvio quando consideramos as palavras faladas por Jesus no versículo 24, "Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo..." Estes são as "ovelhas", aqueles que através da presciência de Deus foram chamados por Deus através do Senhor Jesus Cristo para herdarem o reino PORQUE ele mantiveram-se constantes na sua crença na verdadeira mensagem do Evangelho, e que essa mensagem teve efeito nas suas vidas como é evidenciado nas subsequentes palavras de Jesus. O poder transformador de Deus penetrou de tal maneira nas suas vidas, teve uma parte na sua verdadeira existência que eles não se aperceberam conscientemente da descrição que Jesus dá deles próprios. Estas palavras não se podem referir a nações inteiras mas aos indivíduos que foram chamados por Deus através dos tempos.


É certamente então com um sentido de ironia Divina que "os cabritos" também não reconheceram a descrição de si próprios por uma razão completamente oposta. Eles não reconheceram a sua responsabilidade como servos do Senhor. Foram tolos, preguiçosos, e o poder de mensagem do Evangelho não pode ter efeito neles, e assim eles são rejeitados por Jesus, o Juiz.


Este Ensinamento Bíblico fundamental acerca do Tribunal de Cristo, num sentido, pode ser muito desconfortável porque trás-nos cara a cara com aquele a quem todo o poder, autoridade e julgamento foram dados pelo Seu Pai, o Senhor Jesus. Sabemos que não serão cometidos "erros" pelo Senhor Jesus. Sabemos que existem aqueles que serão rejeitados por Jesus quando ele realizar o seu justo julgamento.


Devemos estar apreensivos ou com medo do julgamento? A resposta realmente deve ser dada por cada um de nós individualmente. Se acreditámos na verdadeira mensagem do Evangelho e fomos baptizados e temos genuinamente tentado ser servos fiéis do Deus Altíssimo e do Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo, então a graça. misericórdia, perdão, entendimento e amor do Pai e do Filho serão mais que suficientes para cobrirem as nossas imperfeições e falhas.


Que seja possível a nós ecoar as palavras do Apóstolo Paulo escritas na epístola a Timóteo capítulo 4 versículos 5 a 9:


"Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério. Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado. Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda. Procura vir ter comigo depressa."